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Tema: Questões sobre a tentativa de
regulamentação da profissão de psicanalista no Brasil
A Culpa é do Lacan foi o título
que me ocorreu a partir de uma matéria publicada no jornal O Globo, em
abril deste ano. Seu teor era o de uma entrevista com o pastor
evangélico e “psicanalista” Heitor A . Silva. Ali ficou exposto
claramente o grotesco dessa situação, ou seja, o absurdo da
apropriação e deturpação da psicanálise por grupos ligados à religião,
os quais tentam regulamentar a profissão de psicanalista. À tal
entrevista seguiram-se algumas ponderações sobre o assunto feitas por
psicanalistas, dentre as quais as de Chaim S. Katz, a qual me chamou a
atenção pela afirmação: “... de alguma forma, Lacan abriu caminho para
esse pessoal, através da idéia mal compreendida de auto-formação...”
Regulação,
por sua vez, é a expressão que tem sido utilizada por alguns
segmentos da psicanálise no Brasil para exprimir a necessidade de
alguma normatização da formação do psicanalista, de tal forma que a
psicanálise não fique vulnerável a apropriações indébitas, como está
sendo o caso com os evangélicos. A diferença que ela comportaria em
relação à regulamentação é a de que uma normatização da psicanálise
seria feita não pelas normas do Estado, mas pelas das sociedades
psicanalíticas que pleiteariam, junto ao Ministério da Educação, o
reconhecimento da formação do analista, ministrada por elas. Seria uma
espécie de oficialização dessas formações dentro de um estatuto de
pós-graduação lato sensu, perspectiva que levaria a psicanálise
para um discurso religioso,
tanto quanto sua apropriação por grupos religiosos.
Essa não é uma
possibilidade compartilhada por todos, mas apenas por um dos segmentos
psicanalíticos, e provavelmente aponta para uma precipitação provocada
pelo jocoso desta atual tentativa de regulamentação, e seus iminentes
riscos. Por isso, minha intenção com este texto é a de tentar, por
meio desses dois significantes – auto-formação e regulação
–, retomar as implicações dessa tentativa, de forma que se possa
encontrar um meio de lidar com ela, que esteja mais de acordo com o
próprio discurso psicanalítico.
Para tal, parto
do pressuposto de que, para além da oposição entre psicanálise e
religião, o que está em jogo e precisa ser problematizado nesse
assunto são as questões da formação do psicanalista e da
transmissão/ensino da psicanálise. Aqui, trata-se de uma outra
oposição, que é aquela da divergência entre as diferentes tendências
da psicanálise acerca dessas duas questões. Afinal, faz parte da
história do movimento psicanalítico que as divergências se dêem
especialmente em torno delas. Talvez seja em função disso que se
possa entender o arrefecimento da inédita mobilização que esse Projeto
de Regulamentação conseguiu, reunindo, apesar de tais divergências,
todos os segmentos psicanalíticos brasileiros.
Entretanto, não se
pode deixar cair no esquecimento o fato de que a situação é muito
grave
e de que a atual tentativa de regulamentação – que aliás não é a
primeira, pois já existiram outras e, com certeza, continuarão a
existir, caso esta não seja aprovada – fere princípios fundamentais da
psicanálise. Além disso, não se pode esquecer também que às
implicações do movimento de globalização
somam-se, no Brasil, injunções políticas onde o que conta é a lógica
da “composição” e na qual a bancada evangélica tem peso. É com
isso que as associações psicanalíticas “evangélicas” contam para
aprovar o projeto de regulamentação. Por fim, cabe ainda lembrar
que temos uma responsabilidade ética diante dessa situação, e se não
quisermos ficar simplesmente derrubando Projetos – ou queremos
? – este é um momento profícuo para discutirmos as questões nela
implicadas, articulando aí nossas divergências.
É nesse sentido
que trago então algumas pontuações, utilizando-me das expressões
auto- formação e regulação, pois elas estão no
seio dessas divergências.
I – Sobre a Formação:
Começando pela
possibilidade de que Lacan tenha dado margem à referida apropriação em
função da auto-formação, é preciso primeiro retificar essa
idéia. Não é disso que se trata com o aforismo lacaniano do
autorizar-se por si, ao qual geralmente se esquece de completar
com o “alguns outros”. A asserção completa é:
o analista só se autoriza de/por si mesmo ... e
alguns outros.
É a partir dela
que se pode retomar uma discussão sobre a questão da formação do
psicanalista, de tal forma que ela não se preste a oportunismos
– como o das “formações evangélicas” – mas que corresponda a um rigor
conceitual onde o ser psicanalista prescinda das implicações de
uma regulamentação profissional.
Uma primeira e
fundamental premissa que se impõe pelo aforismo é o de que o ser
psicanalista não corresponde a uma simples habilitação, mas faz
parte da própria subjetividade de um sujeito. Isso só pode ser
compreendido levando-se em consideração o que se passa exclusivamente
dentro de uma experiência com o inconsciente, isto é, na análise, e
particularmente na sua conclusão. Só aí é que se pode precisar o que é
da ordem de uma passagem de analisando à analista – da ordem do que se
passa com esse sujeito.
Entre outras
coisas, aí se passa uma experiência radical de falta – de falta de
sentido do ser. Pode-se dizer que após a apreensão, desconstrução e
reelaboração das identificações, resta a esse sujeito ter de haver-se
com a desilusão de seu narcisismo, com o vazio do qual a pulsão faz
borda, com a parcialidade do objeto, com a fragilidade e
desconhecimento de seu eu e, especialmente, com a inconsistência do
Outro. Tais confrontações implicam o engendramento de uma
subjetividade radicalmente cindida – marcada pela divisão entre um
saber inconsciente e a verdade da impotência,
da castração. É a esta subjetividade, enquanto consequência lógica do
processo de análise, que corresponde o ser psicanalista,
ou seja, a falta-a-ser, ou o
des-ser.
Cada um que já
passou por essa experiência sabe, com muito sofrimento, que depois
dela não se consegue mais viver nenhuma plenitude ou onipotência, nem
quanto a si mesmo, num, principalmente, quanto ao Outro – um Outro
absoluto tomado como ideal de acolhimento e/ou de identificação
enquanto Ideal do Eu. Cada um sabe que, mesmo tentando, não consegue
mais instituir um novo analista a quem possa autorizar uma escuta
a não ser pontualmente – posto que a contingência deste Outro passa a
ser prerrogativa exclusiva da alteridade constituinte do próprio
inconsciente (Outra Cena) – da própria condição de ser falante.
É dentro desse
registro que cabe só ao sujeito autorizar-se enquanto analista, e não
ser autorizado por um Outro, pois neste caso a análise ainda não
estaria concluída. Além disso, tal autorização refere-se ao efeito de
um processo inconsciente, e não simplesmente a um ato de vontade.
Trata-se de um responsabilizar-se por seus próprios atos, mas a partir
de uma perspectiva inconsciente.
II – Sobre a
Transmissão:
Tal como a
formação, não há como deixar de se abordar a questão da transmissão da
psicanálise também a partir da experiência do final da análise.
Trata-se aí de considerar a dimensão do saber em jogo nessa
experiência. Sobre isto pode-se dizer que na passagem de analisando a
analista, a instauração de uma subjetividade marcada pela falta
implica a aquisição de um saber – inconsciente – sobre isso. Este
configura-se enquanto um savoir-faire, e não enquanto um saber
formalizado, generalizável. O sujeito sabe-se sintoma e, afinal, cada
caso é um caso, e o sentido dado a cada sintoma, a cada experiência, é
único. É esse o saber passível de transmissão numa análise.
Ora, pela
singularidade desse saber, ninguém pode dar testemunho a não ser o
próprio sujeito que para tal autoriza-se. Também aqui, trata-se
de algo que não é da ordem de um ato de vontade, mas de um efeito –
efeito de transmissão, que decorre de uma mudança na economia de um
desejo no qual o Outro deixou de ser encarnável – passou a referir-se
ao Outro da alteridade subjetiva. Em outras palavras, pode-se dizer
que é possível a um sujeito, depois da análise, falar de um outro
lugar – falar dentro de um registro de discurso analítico que não é
agenciado pelo Eu, mas pela falta (do objeto). E isso pode provocar
efeitos – efeitos de transmissão, em termos da transmissão de uma
falta.
Portanto, é dentro
dessa perspectiva de experiência de falta que, tanto a formação quanto
a transmissão podem ser consideradas como a elaboração – permanente –
desta subjetividade marcada pela destituição da posse imaginária de
uma verdade e por um saber que nada mais é que a vivência da própria
incompletude, perspectivas que colocam em causa o próprio
psicanalista em sua relação com a psicanálise. Nas duas dimensões,
não há como deixar o próprio sujeito fora de seu encontro – ou
desencontro – com isso, a partir de sua experiência de análise, e não
de critérios exteriores a ela. Tem-se aqui uma questão de ética –
ética da experiência com o inconsciente.
III – Sobre a
Regulação:
É a partir,
então, dessa experiência de análise, dessa transmissão, dessa
autorização – que não remetem a uma profissão, nem a uma
especialização, mas dizem respeito a uma posição subjetiva
inconsciente – que se pode retomar a idéia de uma regulação.
Tal como a
regulamentação, uma regulação da função
do psicanalista implica a sua delimitação por critérios externos à
própria análise, o que requer uma problematização. Além do fato de que
regular seria concordar que ser psicanalista é uma profissão, é
preciso considerar que, se o saber fazer com o saber
inconsciente – ser psicanalista – faz parte de uma transmissão que só
é possível na e através da transferência com um
analista, isso é sinônimo de que nenhuma norma externa à própria
análise teria condições de regular a transmissão desse saber – nem
mesmo a das instituições psicanalíticas, posto que desta transmissão
só há garantias dentro de uma análise, que se configure como didática.
Entretanto, isso
tem uma outra vertente. Na medida em que um sujeito autoriza-se
analista, passa a sustentar uma alteridade diante da qual
a análise é necessária mas não é suficiente,
ou seja, essa sustentação convoca necessariamente o ...alguns
outros do aforismo lacaniano, o que corresponde à passagem do
privado ao público que circunscreve, então, a necessidade dos pares e
da instituição psicanalítica. É nessa dimensão que se pode falar de
uma garantia exterior à análise. Ela refere-se ao fato de que a
instituição pode garantir o espaço para a viabilização, não de
autorizações, mas de testemunho dessas autorizações, na medida em que
possibilita a articulação de diferenças. Sem esse espaço, a
autorização não se caucionaria dentro de um registro simbólico, mas
correria o risco de referir-se apenas enquanto demanda imaginária.
Mas será que essa
“caução” se deixaria normatizar? Como conciliar a ética da
experiência do inconsciente com uma ética institucional ?
Se a delimitação
de uma formação subjetiva inconsciente, como a condição de ser
analista, não é determinada por critérios de um poder público
(regulamentação), mas pelas consequências de uma análise, sua
deliberação por um poder privado (regulação) – no caso o das
instituições psicanalíticas – também é problemático. Isso porque tal
deliberação implicaria um “regrar”, ou seja, criar critérios e tempos
pré-fixados para algo que é atemporal e cuja natureza é da ordem da
subversão – é da ordem de uma elaboração permanente. Além
disso, são essas condições de “regramentos”, de enquistamentos em
instâncias de poder, que dão margem a arranjos institucionais tanto de
caráter corporativista quanto de organizações socialmente atópicas,
quanto de deturpações da psicanálise, como é o caso da SPOB e outras.
Não é o regrar que dá garantias da formação e/ou da psicanálise.
Mesmo assim, é
necessário considerar que, se não há garantias na formação do
psicanalista, isso não é sinônimo de que a sociedade deva ficar sem
garantias da psicanálise. Qual seria uma garantia possível da
psicanálise à sociedade? Como informar à sociedade que o ser
psicanalista não se refere a uma afirmação do ser, mas do “des-ser”
e com isto não pode se configurar como uma profissão? Como transmitir
que o que está em jogo na formação não se refere a um saber comum, mas
a um saber inconsciente que transcende o sentido, tornando a formação
do psicanalista infindável – permanente – e impossível de ser ditada
por normas exteriores ?
IV – Sobre uma
possível saída (regulação x delimitação - legalidade x legitimidade)
Penso que uma das
saídas possíveis para essas questões – e é isto que trago então para
discussão – seria a de se tentar deslocar a questão de uma
regulamentação para a de uma delimitação do campo freudiano,
por meio de uma dimensão de discurso – do discurso psicanalítico.
Em outras
palavras, tratar-se-ia aqui de um esclarecimento à sociedade sobre a
singularidade da psicanálise, mediante uma produção discursiva
que pudesse depor sobre os seus fundamentos, seu método e modos de
eficácia de sua ação e seu corpo teórico, especialmente no que dizem
respeito à sexualidade infantil, ao recalque, às pulsões, ao complexo
de Édipo e de Castração, assim como à especifidade da formação do
psicanalista em relação com à análise pessoal.
A meu ver, esta
seria uma forma psicanalítica de afirmar a singularidade da
psicanálise por meio de seu próprio discurso, e com isso marcar sua
diferença em relação a outros campos do saber, como o da medicina, o
da psicologia, o da antropologia, o da religião, etc. Além do mais,
isso permitiria direcionar a questão de uma legalidade da
psicanálise, para a de uma legitimidade, a partir de sua própria
estrutura, e não em função de regulamentações ou regulações.
Por fim, poderia
se pensar que na delimitação do campo psicanalítico, onde há tantas
divergências, a dimensão de um discurso comum – enquanto
estrutura política coletiva – poderia garantir não só a
sobrevivência da psicanálise como tal, mas da psicanálise não
enquistada em guetos.
.......................................................
ANEXO I
SITUAÇÃO ATUAL DA TENTATIVA DE
REGULAMENTAÇÃO
Existe uma proliferação crescente de associações
que vêm formando “psicanalistas clínicos”, como são chamados, com
carteira profissional e diploma, e em todos os estados brasileiros.
Tais associações como a SPOB (Sociedade Psicanalítica Ortodoxa do
Brasil), a Corpo CESBAN (Conselho Regional de Psicanálise e
Orientação & Centro de Ensino Superior Batista Nacional), a (ISPB)
Instituto Superior de Psicanálise de Brasília , etc. são todas
dirigidas por pastores batistas presbiterianos. Umas assumem
declaradamente o uso da psicanálise para objetivos religiosos, outras
se dizem conhecedoras da psicanálise, e que seu uso desta não se
confunde com a prática religiosa. Entretanto, sabe-se como isso não
pode se sustentar, entre outras coisas, por colocar seriamente em
risco a neutralidade necessária ao exercício clínico e teórico da
psicanálise. Também é patente a desinformação, ou a informação
enganosa, dos candidatos que cursam disciplinas que vão desde
Primeiros Socorros, passando por Hipnose, até Parapsicologia. Já é
grande o número deles que procuram tanto psicanalistas quanto
instituições realmente psicanalíticas para “complementar” a formação,
como dizem, mas não abrem mão de já se considerarem psicanalistas.
O mais grave ainda
é que não existe nada que possamos objetivamente fazer. Até o momento,
só a SPOB (http://www.spob.com.br/)
em pouco mais de três anos já formou com diploma, festa e paraninfo,
cerca de 3.700 psicanalistas, e já está arregimentando outros 2.000
para iniciar novas turmas neste semestre, que estarão formadas em
julho de 2003. Os folders publicitários (exemplar anexo) sobre isto
são colados diariamente em todas as caixas de correio de Brasília. Os
cursos duram 320 horas, e a análise pessoal é uma vaga exigência.
A única ação
oficial com consistência que pôde ser agilizada contra isso, até
aqui, foi impetrada pelo Conselho Federal de Psicologia, e unicamente
porque essas entidades (SPOB e CESBAN) criaram o CONSELHO FEDERAL DE
PSICANÁLISE CLÍNICA DO BRASIL, sendo portanto uma ação no âmbito de
conselhos.
A psicanálise
mesmo, as instituições psicanalíticas, não têm nenhum recurso eficaz
para agir contra isso. As pessoas que tentaram, como o presidente da
ABP (IPA), junto com o CRP estão respondendo a um rigoroso processo
acionado pela SPOB, que tem um enorme poder econômico.
Para culminar, em novembro de 2000, a SPOB
através de um deputado federal, também pastor evangélico, deu entrada
oficial no Projeto de Lei no. 3944/2000 que visa regulamentar a
profissão psicanalista clínico. Tal Projeto além de ser
absurdamente desconhecedor dos princípios da psicanálise é
oportunista, como se pode ver no seguinte recorte: “a verdade é que
a formação e a fiscalização do exercício profissional da psicanálise
nunca foram normatizados, valendo tão somente os princípios
doutrinários de cada corrente da psicanálise, nem sempre acordes e
quantas vezes frontais, tornando a classe de psicanalistas até
suspeita, o que demanda uma urgente regulamentação que discipline
todos os ângulos dessa profissão, socialmente útil e legalmente
fiscalizável, acabando com os partidarismos e com as reais ameças à
saúde do povo”;
Quanto ao autor do
Projeto, para se ter uma idéia da sua inserção psicanalítica, recorto
aqui alguns trechos de uma das entrevistas
que ele deu para a imprensa:
O que é a SPOB ?
Dr. Heitor
(diretor-executivo, pastor evangélico): “É uma sociedade que visa a
popularização da psicanálise (...) e que tem como bandeira a
regulamentação (...)”;
Como o senhor vê o
fenômeno da possessão demoníaca no processo psicanalítico ?
Dr. Heitor :
“(...) A OMS tem um código que classifica o transtorno mental da
síndrome de possessão, que uns vêem como possessão, outros, como
esquizofrenia. Na experiência clínica, uma coisa é esquizofrenia,
outra é a possessão”;
O senhor concebe a
idéia de pecado ?
Dr. Heitor:
“Concebo, claro”;
E como o senhor
lida com a sexualidade no tratamento ?
Dr. Heitor:
“Instinto. Institualidade. Concebo o pecado, mas não genericamente.
Pecado do ponto de vista religioso é uma coisa, do ponto de vista da
antropologia é outra”;
Mas como religioso, seu conceito de religioso
difere daquele do antropólogo.
Dr. Heitor :
“No meio religioso, não na psicanálise”;
Na prática psicanalítica há uma tendência
libertadora. Na esfera da psicanálise, não existe punição.
Dr. Heitor:
“Não se pode confundir libertação com libertinagem ....”;
Uma outra idéia
que se pode ter do caótico dessa situação foi retratada pela revista
Veja, de 20 de setembro de 2000, através de alguns depoimentos desses
pastores, entre os quais tinha-se o seguinte: “para diferenciar uma
neurose de uma possessão, que têm sintomas parecidos, eu evoco o nome
de Jesus. Um psicótico nunca reagiria agressivamente ao nome de Jesus
....”.
E concluindo esses
recortes, reproduzo aqui a correspondência que colocaram sob a porta
do meu consultório no momento em que eu estava escrevendo este texto,
e , que é só mais uma versão das que têm chegado com freqüência:
“Caro(a) Doutor(a):
Solicito-lhes
alguns poucos minutos para exame do seguinte conteúdo:
(...)
Permito-me esta
abordagem em busca de saudável integração em sua equipe
multidiciscplinar, objetivando avaliar neuroses de múltiplas causas,
em parcerias, e próprias da psicanálise.
A par disso farei
o possível para atender, além do psicossomático e do somatopsíquico, a
parte financeira do paciente, sendo cada caso considerado com muito
zelo (....).
Aproveito a
oportunidade para informá-lo de que sou graduado em Odontologia, com
especialização em Endodontia há trinta e um anos.
À minha recente
formação em Psicanálise somo a observação em Vivência Clínica, a
preocupação com o autoconhecimento, os meus sonhos, a preocupação com
saúde mental das pessoas e, também, o estudo do binômio mente/espírito
sob a ótica espírita-cristã, desde 1968; portanto, uma experiência na
Faculdade da Vida durante longos trinta e três anos.
(...)
Preocupado com seu
tempo apresento uma expectativa para um prazeroso contato pessoal, no
meu ou no seu consultório, informal mas significativo (...).
Membro de IPB – Intersecção Psicanalítica do Brasil ( http://www.hotlink.com.br/users/ipbbras)
Por discurso religioso, refiro-me a tudo que Freud colocou em
Psicologia de Grupo e Análise do Eu acerca do mal-estar regido
pelo registro das identificações, e que se impõe no Exército e na
Igreja.
Mediante de um baixo-assinado com quase 2.000 assinaturas e um
Manifesto Conjunto com a adesão de 90% das Instituições
Um resumo dessa situação está anexado ao final deste texto.
Não pelo menos até o momento em que estou escrevendo este texto.
Em outros países, particularmente na França, tais implicações
incidem na superposição entre psicanálise e psicoterapia.
Aqui também me ocorre uma outra provocativa colocação de Chaim S.
Katz : que os psicanalistas NÃO querem,
já recebi inúmeros e-mails reclamando do projeto. mas, o que
querem ou desejam os analistas para serem reconhecidos? viveremos
de negatividades?
Em Brasília isto tem sido feito, desde o início deste ano, sob a
forma de reuniões clínicas, entre quatro diferentes instituições
psicanalíticas, inclusive a IPA.
LACAN, Jacques – “Nota aos Italianos”, 1973 - (xerox de:
Documentos para uma Escola II – Lacan e o Passe, Publicação Letra
Freudiana, circulação interna, 1995, pag.50).
E é por isto que este “ser” pode ser considerado como uma formação
do inconsciente.
O que se contrapõe a uma demanda consciente do “querer ser
psicanalista”.
Instituir um novo Sujeito suposto
Saber (SsS).
Expressão que, a meu ver, é mais pertinente do que
ofício
LACAN, J. – “Nota ao Italianos” , 1973 – (xerox de: Documentos
para uma Escola II – Lacan e o Passe, Publicação Letra Freudiana,
circulação interna, 1995, pag.51)
publicada no jornal O Globo, em 14.04.01
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