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Em seu texto “Função e Campo
da Fala e da Linguagem” (1953), Lacan, em dado momento, cita Pascal num
laivo de inspiração quando afirma que "os homens são tão necessariamente
loucos que seria enlouquecer por uma outra forma de loucura não ser
louco". Mas eu escolhi um momento de George Bataille falando sobre a
loucura porque sugere, implicitamente, uma teoria sobre o lugar que a
loucura ocupa no pensamento contemporâneo.
Trazendo uma frase de Blake,
ele escreve:
“Um dos Provérbios de Blake diz que “se outros não forem loucos, então,
nós devemos ser”. Loucura não pode ser rechaçada da integralidade humana
que, sem o louco, poderia não ser completa. Nietzsche enlouquecendo – em
nosso lugar – fez essa completude possível: e todos os que perderam sua
razão antes dele não foram capazes de fazer isto de forma tão
espetacular. Mas a dádiva que o homem faz de sua loucura para seus
companheiros, pode ser aceita e então devolvida sem interesse? E se este
interesse não é a insanidade que recebe a loucura como uma dádiva real, o
que pode essa recompensa ser?” (1973)
Na
expressão de Bataille, alguns têm sido loucos de uma forma espetacular. E
se pensarmos em individuas como Holderlin, Rilke, Van Gogh, Joyce, Wagner,
Lacan, Nerval, Artaud, Blake, Bispo e outros, como evitar que na cena
cultural atual a significação e o lugar da loucura tenha se tornado uma
questão tão crucial? De tanto se falar e escrever, até se tornou um lugar
comum – alimento e música para o ouvido, os olhos e o pensamento. Há até
uma inflação de discursos sobre ela. Ela é, sem dúvida, o outro da razão,
sempre presente.
Não foi em vão que Lacan realizou uma verdadeira excursão na
reflexão filosófica sobre o seu estatuto de estrutura, e preconizou desde
1932, que o saber vigente fosse repensado à luz do modelo do inconsciente.
Quem
haveria de supor que a desrazão superaria a razão na experiência humana
?
Não é paradoxal que, numa era
de investimentos discursivos ela tenha abandonado o lugar fora da cultura,
para uma inclusão, para ficar dentro dela.
O “elogio da loucura” passou
por Erasmo, Kierkegaard, Balzac, Kafka, Flaubert, Nietzsche, Henry James,
Derrida, Foucault, Lacan e tantos outros, se alojando definitivamente na
escritura de Joyce. A Literatura deu voz à loucura, ligando-a para sempre
à questão da linguagem. Foi exatamente Nietzsche que disse que a
“Linguagem é uma doce loucura.
Enquanto fala o homem dança sobre todas as coisas.” (1968)
Quando
Lacan (1975-1976) se pergunta:
•
“Era
Joyce louco?”
•
“Pelo que seus
escritos foram inspirados?
“
também
se responde:
•
“Por que,
afinal, não teria sido?”
•
... “não é um
privilégio ser louco?”
Em todo o seu Seminário, “Joyce
– o sinthome”, perpassa uma “estranha cumplicidade” para usar a
expressão de Marini (1992) , e se percebe que ele cogita sobre si mesmo,
também. Os intelectuais, os universitários, percebem essa “loucura” e,
também, não escapam dessa sedução.
E de que maneira a loucura é
responsável por esta coisa chamada literatura? Com que se preocupa, de
fato, a atualidade, com textos sobre a loucura, ou com a loucura do texto?
Em relação à arte em geral,
também se questiona se a loucura é necessariamente criativa, ou, se existe
uma relação essencial entre imaginação, criatividade e desrazão. É a
loucura poética, ou existe uma poética da loucura?
O próprio Lacan, no caso Joyce,
foi de extrema sutileza em relação a estas indagações, e o meio literário
universitário acolheu a novidade com desconfiança e estranheza. No
seminário sobre as psicoses, Lacan chama a atenção para o fato de que “o
louco parece não ter necessidade de ser reconhecido. Mas essa suficiência
que ele tem de seu próprio mundo não deixa de apresentar alguma
contradição. Suponho que ele remete à distinção lembrada por Foucault
entre um autor no sentido literário da palavra e o autor fundador de uma
discursidade.
Lacan vai dizer que “a obra de
Schreber tem um caráter completo, fechado pleno, acabado”. Comenta que
Schreber é, com toda a certeza, um escritor, mas não é um poeta. E
continua ele não nos introduz numa dimensão nova da experiência... “há
poesia”, insiste Lacan, “quando um escritor nos introduz num mundo
diferente do nosso e, ao nos dar a presença de um ser, de uma certa
relação fundamental, faz com que ela se torne também nossa”... “a poesia é
criação de um sujeito assumindo uma nova ordem de relação simbólica com o
mundo”. E vai colocar Joyce, no Seminário “Joyce – o sinthome” numa
posição privilegiada de raro talento e grande força criativa.
Em suas conferencias nos
Estados Unidos (1975), Lacan vai afirmar que o texto literário, apesar de
suas aparências é sem efeito ... “Não tem efeito senão sobre os
universitários ... mas Joyce tenta ir mais alem”, diz Lacan. “ Ele disse
que os universitários falariam dele durante trezentos anos ... A
Literatura tentou tornar-se mais razoável, algo que entrega sua razão ...
a de Joyce de se tornar um homem importante, por exemplo”... E, continua
Lacan ironicamente falando aos literatas, “como se deixam seduzir assim
nessa profissão de escritor?” “... Explicar a arte pelo inconsciente me
parece coisa das mais suspeitas ... explicar a arte pelo sintoma me parece
mais sério.”
Estamos todos loucos, ou
encantados pela escritura de Joyce?
Seguindo a reflexão de Lacan,
achamos que o gozo estético da extraordinária alquimia de Joyce, de sua
escritura ao mesmo tempo enigmática e reveladora, não se explica na
produção de sentido, mas na loucura do sintoma – canto de sereias, encanto
de Iemanjá. É ela que permite a Joyce enveredar pelos caminhos do
encantamento dos navegantes de sua leitura até o “ponto de atingir o real”
(1975-1976). A sua arte é o artifício típico do sintoma – frustrando a
verdade, o sentido, torna-se um canto sedutor de “santo homem”, sem
abdicar do encanto de “perseguir um pai” e do pecado de “negá-lo”.
Ulisses, diz Lacan, “é o testemunho do por que Joyce continua enraizado em
seu pai, ao mesmo tempo em que o renega, e é bem isto que é o seu sintoma”
(1975-1976)
Sua obra tem um
sentido, mas não existe a preocupação com a busca do sentido para um
possível leitor. A literatura joyceana não costura ou harmoniza o gozo
da letra com o gozo do sentido. A escritura se constitui e se trama como
sintoma, não no lugar de uma outra coisa – a possível loucura. Não se
trata de uma metáfora delirante. Trata-se de uma metáfora literária e não
do sujeito. A loucura se coloca na função de musa inspiradora. O
psicótico, de fato, habita a linguagem, mas, não como retorno do
recalcado. O que, no final de contas, quer dizer – “o neurótico habita a
linguagem; o psicótico é habilitado pela linguagem que o persegue”. Isto
é, ele é “mais falado do que fala”, nas expressões lacanianas. “O
incosciente está ali, mas isso não funciona”. Talvez por esta razão ele
prossegue e diz que “o pscicótico é um mártir do insconciente”.
Entre as obras de Joyce,
Ulisses é muito particular nessa missão de encantar os leitores ao ponto
de levar os universitários que dele se ocupem “a se encarregar do pai”,
da perversão em direção ao pai, sua “versão do pai”, até “compensar” a
sua “carência paterna”. O que se acredita é que não somente sua escrita,
mas o fato de ter publicado e ser reconhecido como artista,
é o que produz, a quarta volta no nó borromeano, a “suplência”, ao “lugar
vazio” da missão do pai.
Há um desespero poético e
profético neste desejo de Joyce: “Quero que os universitários se ocupem
de mim durante trezentos anos”, isto é, supohno, que fiquem encantados
com a sua escrita de “frases picotadas”, e aprendam a dar à língua um
outro uso. Se ocupar é trabalhar. E
trabalhar é recolocar em questão seu saber.
Lacan lembra que o desejo de
Joyce de ser artista ocuparia os intelectuais e garantiria para si “um
nome”, um nome que lhe é próprio e que ele “valoriza às custas do pai”.
“É a este nome que ele quis que fosse feita a honra”, e “foi por querer
para si um nome que Joyce fez a compensação da carência paterna.” “Joyce
tem um sintoma”, diz Lacan, “que parte do fato que seu pai era carente,
radicalmente carente” E em toda a sua obra “só fala disso” (1975-1976)
Ainda no seminário Joyce – o
sintoma, Lacan insistiu no lugar da paternidade na gênese da psicose. É a
foraclusão desse significante basal que vem por em cheque todo o edifício
simbólico. Recomenda que “é preciso recolocarmos a questão de saber por
que somos tão apegados à questão do delírio” e propõe, até o final de sua
obra que “para que estejamos na pscicose, é preciso que haja distúrbios de
linguagem”. E esta “particularidade” é, de fato, reconhecida pelos
intelectuais – que no progresso que constitui sua arte, a seqüência de sua
escrita, isto é, do processo de quebrá-la, destroçá-la, decompô-la,
deformá-la, acaba “dissolvendo a linguagem.”, na expressão usada por
Philipe Sollers. É por meio da escrita que a palavra se decompõe,
impondo-se... numa deformação... de algo que se deixa invadir pelas
propriedades fonêmicas da palavra, pela polifonia da palavra. A este
trabalho, que Joyce generalizou e tornou como regra geral do texto, Hélène
Cixous se referiu como “tormento do significante”(1996).
De fato, Joyce realizou o
desejo de Milton de legar ao século uma obra de tal forma que não a
deixarão voluntariamente morrer. É o que Lacan chama de o “direito à
existência”, “à criação” e “à vaidade” (1975-1976) . Não se pode dizer o
mesmo dos escritos de Schreber.
Lacan canta a mesma canção
cativante que Joyce quando se confunde com ele nesta serenata
caracterizada pelo contraponto do “nome do Pai”e de seu “próprio nome”.
Como na harmonia, pode até haver uma escansão, uma pausa, um ralentando
em algum momento da historia, mas o andante cantabili prossegue numa
“dança das horas”, do tempo, em que cenas se misturam numa fantástica
ópera Wagneriana de “saraus de leituras”, “Bloomsdays”, “topo da lista dos
melhores escritores”, seminários, teses e encontros como este. Isto é
verdadeiro para Joyce e para Lacan. O canto das sereias, de fato, se
tornou uma peça magistral onde cantam e tocam intelectuais da Literatura,
da Psicanálise e campos afins.
O escritor vive uma determinada
experiência que poderia se dizer mística, a experiência de algo enigmático
que o sujeito tenta decifrar escrevendo. A leitura do mesmo, segue o mesmo
andamento. Em Joyce, como no “canto das sereias”o gozo estético não tem a
pretensão de achar ou dar ao leitor a chave, o sentido. Ao contrário,
Joyce, usando estratégias musicais no estilo Wagneriano, goza com a
inquietude do leitor perdido no mar e nas rochas. Exagera o gozo do
ouvido, os sons e o fonemático.
Diz a Mitologia que as sereias
são as ninfas do mar, cujo canto encanta os marinheiros que, embriagados,
jogam-se nas ondas; passando pela sua ilha, Ulisses tapou os ouvidos de
seus marinheiros com cera e se amarrou ao mastro de forma que pudesse
ouvir a sua música sem sucumbir. E Ulisses então, escuta a pulsão
invocante, o canto das sereias, o canto maternal. Sabe-se que o som esta
presente na relação mais primordial do sujeito com o Outro. No momento
originário, o significante é a música, o canto de sereia materno.
Posteriormente, na medida que o campo da palavra e da significância se
organiza, a música deixa de ser significante, abrindo caminho para o
sentido e a palavra. A função paterna, a metáfora paterna estabelece essa
ligação da voz à palavra. A criança é levada a habitar esse mundo
simbólico quando o pai vem triangular a relação entre a criança e a mãe, e
transforma esse duêto mágico num trio simbólico. A função paterna é um
exercício de uma nomeação que permite a criança adquirir sua identidade. É
no nome-do-pai, na metáfora paterna que se deve reconhecer o suporte da
função simbólica.
Lacan vai descolocar a
significação da problemática freudiana e em vez de ver a paranóia como
defesa contra a homossexualidade, situa-a sob a dependência estrutural de
uma função paterna. Roudinesco lembra que Lacan foi o primeiro a teorizar
o vínculo existente entre o sistema educacional de um pai e o delírio de
um filho. Ele vai mostrar que “o delírio de Schreber é, à sua maneira, sem
nenhuma poesia, um modo de relação do sujeito com o conjunto da linguagem.
Em relação à obra de Joyce e
particularizando aqui Ulisses, não há nenhum argumento ou enredo
propriamente em todo o livro. O seu valor, dizem os intelectuais, está
nas “vozes” em que se vai expressando ou narrando o cotidiano de um mundo
vulgar e sem aparente interesse. No dizer de Lacan, “belo mesmo é a
escrita” (1975-1976) . O principal personagem é a linguagem – um
instrumento espantosamente variado, uma verdadeiro orquestra.
- Essas vozes são já
conhecidas dos leitores de Joyce. A “palavra interior” ou “monólogo
interior” que seria a deriva da mente na sua inevitável fluência
lingüística. Aparentemente, teria algo que ver com o que Henry James
(1977) chama de “corrente de consciência”. Rilke (1987) também fala de
um “espaço interior do mundo”, o que, em relação à sua poesia, seria a
abolição da possível fronteira entre o dentro e o fora, o visível e o
invisível. Esta combinação entre a paisagem interna e a paisagem externa,
faz parte das perambulações dos pensamentos dos personagens joyceanos,
através de Dublin.
- A “epifania”, ou o
momento em que uma coisa manifesta sua essência, que poderia ser
considerada uma experiência místico-estética, à qual Lacan se refere como
sendo uma “manifestação espiritual descoberta através da vulgaridade da
palavra”... “ceninhas realistas e poéticas” (1975-1976)
Me parecem metáforas
literárias, imagens epífanicas de beleza que revelam o ser num dado
momento excepcional e convidam o leitor a revirar a própria forma de
pensar, ler e escrever.De fato, o romance tem uma estrutura de metáfora,
como o sonho – diz o que diz, o que seu autor quis conscientemente dizer e
diz outra coisa; e é nessa outra coisa, no enigma, “nas entrelinhas”, como
diria Lacan, que se aloja o prazer da leitura.
Nestas vozes encantadoras de
Ulisses, o leitor tem que produzir cada momento proposto e fazer falar o
que o texto retem, ou cala, ou sugere. Em certo sentido, ler Joyce é o
que Mallarmé chama de um “insensato jogo de escrever” (1975).
Quanto ao escritor, a fala de
Stephen, no “Retrato de um Artista Quando Jovem” diz que “O artista,
como o deus da criação, permanece dentro, ou atrás, ou além, ou acima de
sua obra, invisível, refinado até deixar de existir, indiferente, a aparar
as unhas”(1916). Esta aparente impessoalidade, não garante que Joyce não
tenha se servido de sua própria experiência de vida, suas memórias, dos
grandes e pequenos eventos, suas lembranças e traumas que o marcaram.
Este distanciamento estético exigido do poeta pelo próprio Joyce, se
desfaz quando o leitor se depara com sua obra “Música de Câmera” (Chamber
Music, 1907) um trabalho em que ele tenta uma poesia em estreita
relação com a música, e cujo título sugere uma poética mais intimista, que
é típica da lírica. .
A
falta de sucesso com esta obra, inspirou Joyce a buscar na prosa o
reconhecimento que Ulisses alcançou, mantendo o caráter essencialmente
musical de sua estrutura. O jogo de Joyce foi além das meras palavras e
abrangeu a música. Ulisses, a historia toda, está reduzido a uma grande
ópera, a uma melodia, tilintante e inebriante um canto de sereias, um
canto às vezes sensual, às vezes irreverente, às vezes alegre ou triste,
mas maternal. Um intento impossível de literatura musical que deve ser
lido como a partitura de uma ópera.
“A dança das horas”, música de
Ponchielli, sugere simbolicamente a estrutura do tempo em Ulisses do
início até o final. Na fala de Stephen, “Um muito curto espaço de tempo
através de muito curtos tempos de espaço” (1922). A dimensão justa da
vida humana. Há um escorrer de material numa enorme variedade de estilos,
de temas, acordes, melodias, ritmos, contrapontos, descantos, intermezos,
silêncios e pausas, numa fluidez musical extasiante, de canto de sereias.
A base musical do estilo de Joyce, especialmente encontrado no episódio
das sereias, é um dos vários fatores que distinguem seu trabalho de
qualquer outro trabalho literário. Tanto Wagner tentou compor como quem
faz literatura, como Joyce tentou escrever como quem compõe música. Fato
reconhecido pelos dois. Diz-se que, em dado momento de sua vida , Joyce
afirmou: “eu posso tudo com a palavra”, mas, a certo ponto de seu
trabalho, disse: “Eu não consigo a totalidade pela palavra”.
Conseguiria pela música?
Teriam os dois, Wagner e
Joyce, tentado uma síntese impossível?
Conhecidos biógrafos de Joyce,
chamam a atenção para o fato que não se pode pensar o interesse
intelectual de Joyce pelo drama e a música, como puramente
idiossincrático, fora das preocupações e manifestações e produção
artística de seu tempo. Joyce escolheu a mesma trajetória do drama e da
tragédia grega já em prática na obra musical de Wagner como base para
revitalização da ópera moderna. Jacques Aubert reconhece em Wagner a
grande influência entre os artistas e escritores. Vivia-se uma época
Wagneriana em toda a Europa. De fato, entre 1813 (nascimento de Wagner) e
1913 nascerem os homens que marcaram um ponto de mutação irrevogável para
a totalidade das artes e do conhecimento humano:
Wagner
na música; Cézanne,
Picasso e Braque na pintura com a abertura para o cubismo, que
interessava Joyce;
Nietzsche na filosofia;
Joyce na literatura, e outros.
Depois destes senhores nunca
mais a arte e nosso olhar sobre ela seriam os mesmos.
Um último ponto que levantaria
seria o de expressar o meu desejo para os novos leitores e estudiosos de
James Joyce:
- Que tomem de Lacan (1977) a
sugestão de aplicar uma atenção flutuante como é requerida no discurso
analítico fundado na livre associação.
- Que tirem de Barthes (1977),
a recomendação para um modelo de leitura que, de fato, caracteriza estes
alinhavados sobre James Joyce que fiz aqui: sem nenhum poder, um pouco de
conhecimento, um pouco de sabedoria, e o máximo de prazer possível.
-
De Heidegger (1977), um último e saudável conselho, que traduzido
livremente diz o seguinte: não dê ouvidos às minhas hipóteses, mas escute
o movimento do meu pensamento, do meu dar a ver. Escute a qualidade tonal
de minhas palavras.
E
por fim, um pensamento inspirador de Lena Rodrigues (1999):
“Em certo sentido, poderíamos dizer que escritores e artistas descobriram
a psicanálise antes de Freud.
Entre estes, um, dizia: através
da escrita exorcizo os meus fantasmas.
E, de modo geral, todos revelam
os seus, através do não dito das esculturas, das pinturas, da música e de
outras formas de expressões fora da palavra.
Psicanálise, Arte e Literatura
entrecruzam-se, articulando-se entre si, mostram a face sombria do sujeito
humano, sempre disposto a ocultar a verdade dos nossos desejos
inaceitáveis, porém pondo às claras as transformações que evidenciam a
necessidade de criar bordas e definir o vazio de nossa falta estrutural,
em torno da qual nos constituímos enquanto sujeitos da linguagem.
Como, então, separar
Psicanálise, Arte e Literatura?”
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