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Literatura e Psicanálise: Intersecções
Palestra com o Prof. Dr. Lourival Holanda
Sob o Signo do Silêncio
Iniciativa:
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UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO - UPE - Faculdade de Formação de
Professores de Nazaré da Mata, Departamento de Comunicação e Expressão –
DCE - MEL - Movimento de Experiências Literárias e
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TERTÚLIAS JOYCEANAS - Grupo de Leitura em Literatura e Psicanálise de
Intersecção Psicanalítica do Brasil - IPB e
NINAR – Núcleo de Estudos
Psicanalíticos
Academia Pernambucana de Letras,
Av. Rui Barbosa 1596, Graças, Recife/PE,
05 de setembro de 2008, 15:00 h.
Estudantes de Graduação: R$ 5,00 - Demais interessados: R$ 10,00
Inscrições no local, das 14:00 às 15:00 h.
Informações: 3082-2996, 3221-5928, 9126-3980,
9962-1342 |
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Palavra da Professora e Doutora em
Teoria da Literatura Avanilda Torres (UPE):
Silêncio como estado de quem se cala ou
privação da fala é tema de fecunda e inquietante motivação em várias áreas
do conhecimento humano. Não escapa à filosofia, à antropologia, à
psicanálise e encontra solo fértil no terreno da literatura disseminado
nas diferentes possibilidades de criação textual, particularmente onde
autor/narrador e personagem interagem.
Sob o signo do silêncio, livro
do escritor e Professor Dr. Lourival Holanda, publicado pela Edusp em
1992, presta-se, sobremaneira, a um debruçar-se sobre essa questão.
Mestre, porque versado no seu saber e na competência com que o
compartilha, Lourival, à semelhança de Calvino, sabe que é necessário
valer-se das míticas sandálias aladas para tocar com a necessária
delicadeza um tema de tal densidade.
Para o autor em questão, silenciar é dizer
por outra via – já que o silêncio potencia o que ali luz, presente, pelo
fulgor mesmo de sua ausência. E essa ausência fulgurante é poética e
criticamente trabalhada numa analogia com Graciliano Ramos e Albert Camus
tendo sua base nas obras Vidas Secas e O Estrangeiro.
Não cabe ao autor de Sob o signo do silêncio inquirir
precisas fontes e influências, mas sim buscar nas duas obras uma direção
comum. Tanto Graciliano quanto Camus, distantes geográfica e
culturalmente, estão singularizando uma escritura que reflete os sismos
sociais, captando as ondas de seu tempo, antecipando mudanças no espírito
literário. Pela exploração de um silêncio, sob a forma/fôrma de um
silêncio, cada personagem protagonista assinala uma singularidade.
Fabiano, de Vidas secas, está preso ao peso da tradição, da
carência de palavra para a apropriação do mundo, despido da emoção que
Graciliano procura extirpar do texto. Mersault, de O estrangeiro,
faz do seu silêncio desinteresse, desapropriação do mundo, porque percebe
a carga de mentira que a linguagem comum comporta, nisso levado pelo
processo de silenciar a adjetivação, proposital em Camus. Diante da
palavra, desafiados pela palavra, Graciliano e Camus buscam um novo modo
de contar, de driblar o historicamente instalado, ainda que à custa de
trabalhada contenção, do sacrifício da emoção supérflua, possibilitando um
vazio passível de criativos preenchimentos de sentidos.
Palavra da Psicanalista Rita
Smolianinoff (Tertúlias Joyceanas): O Silêncio em Psicanálise
“Não há silêncio... interior. O borborinho
dos sons se entrecruzando, fazendo surgir novos significantes, remetendo o
Sujeito a uma confrontação com seu objeto perdido e jamais alcançável,
acaba transbordando pensamentos, idéias, juízos. E, mesmo sem falar o
homem, o seu inconsciente fala. Não há silêncio no inconsciente freudiano.
Mersault e Fabiano lidam com palavras de
modo parcíssimo. Enquanto o primeiro as conhece bem e não as utiliza por
crê-las inócuas, o segundo faz o mesmo, acreditando não conhecê-las. No
primeiro, abundam palavras no silêncio, no segundo, escasseiam. Cada um
emudece a seu modo. Visitamos seu silêncios singulares através das
magistrais criações de Camus e Graciliano, dos fantásticos monólogos
interiores de seus personagens. Algo de que o escritor Lourival Holanda
nos fala de maneira brilhante.
A tarefa do analista é ouvir as palavras que
não são ditas, aquelas que escondem a Verdade do sujeito: Verdade que
jamais se revela por inteiro – Aletheia. É na hiância dos
significantes que o Sujeito ex-siste, consiste. Poderíamos pensar existir
nessa hiância um silêncio afanísico, aquele que faz existir o
inconsciente?
A tarefa do escritor é corporificar as
palavras, transbordá-las em seus sentidos possíveis, alcançáveis.
Imagináveis. É criar as personagens, dar-lhes voz, mesmo no silêncio.
Mersault fala silenciosamente, seu pensamento conta as horas. Fabiano
também o faz. Poderíamos ver nesses silêncios a manifestação da palavra
plena do personagem?
Parafraseando Lacan, só se pensa com
palavras.
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