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Atividades Internacionais

Intersecção Psicanalítica do Brasil desenvolve atividades em âmbito internacional junto a:

2008

Corpo e Sintoma

24 a 27.07.2008 Muro Alto/Ipojuca-PE
Conheça o website: www.corpsetsymptome.com

CONVERGENCIA - Movimento Lacaniano para a Psicanálise Freudiana

Aos 3 dias do mês de outubro de 1998, as associações psicanalíticas abaixo assinadas, reunidas em Barcelona, Espanha, em resposta à convocação efetuada nesta mesma cidade em fevereiro de 1997, resolvem constituir, como de fato constituem, um movimento de associações psicanalíticas. A forma convencionada pelas disposições que se seguem foi redigida pela Comissão de Coordenação dos Textos de Fundação, constituída em Paris, em março de 1998 e formada pelos seguintes membros: Pura Cancina, Isabel Capelli, Luis Mª. Esmerado, Norberto Ferrer, Robson de Freitas Pereira, Olivier Grignon, Roberto Harari, Robert Lévy, Isabel Martins Considera, Paola Mieli, Jacques Nassif, Anabel Salafia, Luiz-Olyntho Telles da Silva e Héctor Yankelevich. Em sua elaboração final teve a participação, em plenárias, de cada uma das associações que assinam ao final o presente instrumento, na presença de diversos de seus membros.

Leia sobre seus princípios e objetivos.....

 

Reunião Lacanoamericana de Psicanálise

A Reunião Lacanoamericana de Psicanálise é, sobretudo, um lugar de trocas envolvendo psicanalistas e interessados pela psicanálise.

Realizada desde 1986 na América do Sul - e repetindo-se a cada dois anos -, a Reunião Lacanoamericana de Psicanálise é convocada por instituições de diferentes lugares, ultrapassando os limites territoriais e compondo uma outra geografia instituída pela  transferência à letra de Freud e de Lacan.

Nela não há tema prévio, nem seleção de trabalhos. Os participantes fazem uso da palavra, em nome próprio, evidenciando a singularidade nas trocas de produção. Ao finalizar a apresentação, cada expositor anuncia e coordena o trabalho seguinte da mesa. Os locais e horários das exposições são sorteados, dispondo todos os participantes de um mesmo espaço de tempo.

Ao longo da Reunião Lacanoamericana de Psicanálise, uma Assembléia Geral das Instituições convocantes delibera sobre a realização da  Reunião seguinte.

 

 

CONVERGENCIA - Movimento Lacaniano para a Psicanálise Freudiana

I – Princípios e Objetivos

A psicanálise continua. Fundada por Freud e após a morte de Lacan, ela existe por seu discurso. Esta persistência supõe um ato suplementar, aquele de deduzir do discurso um outro tipo de laço entre psicanalistas.

Pensamos que este novo tipo de laço já foi antecipado por todo tipo de tentativas, mas que ele encontrará o enquadramento que lhe convém em um movimento que terá por denominação: Convergência, Movimento Lacaniano para a Psicanálise Freudiana.

Este movimento tem os seguintes objetivos:

1) Promover o avanço do tratamento das questões cruciais da psicanálise, o que exige um questionamento dos fundamentos de sua prática.

2) Para este fim, multiplicar e estimular os laços entre os praticantes a fim de favorecer a troca e a discussão.

3) Enfrentar desse modo os efeitos nocivos da fragmentação que corroem o movimento lacaniano internacional, de modo a que não se instaure o laço piramidal e autoritário de uma supra-associação.

Não consideramos, a priori, a multiplicidade que daí resulta como uma falha. Convergência deverá se esforçar para preservar esta multiplicidade sem querer nem totalizar nem unificar estas tentativas. Ela se aterá a acolher em seu seio o princípio de uma diferença fecunda presente nesta multiplicidade.

Esta é a razão pela qual são ratificadas as diversas modalidades organizacionais que cada uma das associações-membro deram a si mesmas. Assumimos em ato a diversidade, tanto histórica como geográfica das diferentes posições associativas.

Constatamos que cada uma destas criações institucionais se legitima, seja a partir de um traço no real da cura, seja a partir de uma tese sustida em uma das etapas do ensino de Lacan em sua releitura de Freud. Pode-se assinalar a este propósito que Freud e Lacan não cessaram de reformular e remanejar sua teoria, sem sistematizá-la, isto é, tendo em conta os paradoxos que deste fato poderiam assim aparecer.

Compreende-se, desde então, que as diferentes posições associativas sejam, em sua diversidade, efeitos deste ensino. Supomos do mesmo modo que aquilo que as diferencia não se reduz somente aos efeitos de transferência imaginária sobre a pessoa de um mestre ou de um fundador.

Assumimos, igualmente, o fato de que a transmissão através do texto tornou-se hoje uma modalidade preponderante da difusão do ensino de Lacan. Estamos, entretanto, advertidos do fato que a transferência com os textos só opera na psicanálise na medida em que o discurso é sustentado por uma enunciação, e onde o saber se encontra interrogado pelo efeito didático da psicanálise de cada um.

São estes fatos novos que legitimam a fundação de um movimento que assume sua condição inter-idiomática, porque o reconhecimento da diferença entre as línguas enriquece o trabalho em psicanálise e permite evitar a hegemonia de uma língua sobre as outras. Dar-se-ão assim os meios para interrogar os efeitos que as diversas traduções dos textos psicanalíticos produzem na transferência de trabalho, bem como os efeitos do fato da leitura de um texto de psicanálise na língua de seu autor.

É importante para nós sustentar que, por sua racionalidade específica, a psicanálise, enquanto ‘filha da ciência’ (Lacan), é chamada a fazer advir o sujeito ali mesmo onde a ciência o forclui, rompendo, assim, com toda e qualquer doutrina que se justificaria através do realismo dos universais.

Será também importante oferecer aos analistas assim reunidos a possibilidade de constituir uma força política para apoiar sua inscrição social nos diferentes contextos onde seu ato toma lugar. Para isto, não cessaremos de lembrar a afirmação de Freud segundo a qual a psicanálise é laica. Trata-se da condição sine qua non para evitar toda fossilização de seu discurso e para assegurar uma reinvenção constante da verdade freudiana.

A formação e a nominação dos analistas permanece responsabilidade de cada uma das associações de Convergência. Nosso movimento favorecerá o tratamento deste paradoxo. Não tratá-lo, e não assumir o trabalho das diferenças, encaminharia nosso movimento à entropia e à redundância.

A Convergência sancionará em ato o princípio de uma pluralidade de enlaces heterogêneos entre as associações e os analistas participantes.

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Intersecção Psicanalítica do Brasil
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