|
||||||||
|
CONVERGENCIA - Movimento Lacaniano para a Psicanálise Freudiana I – Princípios e Objetivos A psicanálise continua. Fundada por Freud e após a morte de Lacan, ela existe por seu discurso. Esta persistência supõe um ato suplementar, aquele de deduzir do discurso um outro tipo de laço entre psicanalistas. Pensamos que este novo tipo de laço já foi antecipado por todo tipo de tentativas, mas que ele encontrará o enquadramento que lhe convém em um movimento que terá por denominação: Convergência, Movimento Lacaniano para a Psicanálise Freudiana. Este movimento tem os seguintes objetivos:
Não consideramos, a priori, a multiplicidade que daí resulta como uma falha. Convergência deverá se esforçar para preservar esta multiplicidade sem querer nem totalizar nem unificar estas tentativas. Ela se aterá a acolher em seu seio o princípio de uma diferença fecunda presente nesta multiplicidade. Esta é a razão pela qual são ratificadas as diversas modalidades organizacionais que cada uma das associações-membro deram a si mesmas. Assumimos em ato a diversidade, tanto histórica como geográfica das diferentes posições associativas. Constatamos que cada uma destas criações institucionais se legitima, seja a partir de um traço no real da cura, seja a partir de uma tese sustida em uma das etapas do ensino de Lacan em sua releitura de Freud. Pode-se assinalar a este propósito que Freud e Lacan não cessaram de reformular e remanejar sua teoria, sem sistematizá-la, isto é, tendo em conta os paradoxos que deste fato poderiam assim aparecer. Compreende-se, desde então, que as diferentes posições associativas sejam, em sua diversidade, efeitos deste ensino. Supomos do mesmo modo que aquilo que as diferencia não se reduz somente aos efeitos de transferência imaginária sobre a pessoa de um mestre ou de um fundador. Assumimos, igualmente, o fato de que a transmissão através do texto tornou-se hoje uma modalidade preponderante da difusão do ensino de Lacan. Estamos, entretanto, advertidos do fato que a transferência com os textos só opera na psicanálise na medida em que o discurso é sustentado por uma enunciação, e onde o saber se encontra interrogado pelo efeito didático da psicanálise de cada um. São estes fatos novos que legitimam a fundação de um movimento que assume sua condição inter-idiomática, porque o reconhecimento da diferença entre as línguas enriquece o trabalho em psicanálise e permite evitar a hegemonia de uma língua sobre as outras. Dar-se-ão assim os meios para interrogar os efeitos que as diversas traduções dos textos psicanalíticos produzem na transferência de trabalho, bem como os efeitos do fato da leitura de um texto de psicanálise na língua de seu autor. É importante para nós sustentar que, por sua racionalidade específica, a psicanálise, enquanto ‘filha da ciência’ (Lacan), é chamada a fazer advir o sujeito ali mesmo onde a ciência o forclui, rompendo, assim, com toda e qualquer doutrina que se justificaria através do realismo dos universais. Será também importante oferecer aos analistas assim reunidos a possibilidade de constituir uma força política para apoiar sua inscrição social nos diferentes contextos onde seu ato toma lugar. Para isto, não cessaremos de lembrar a afirmação de Freud segundo a qual a psicanálise é laica. Trata-se da condição sine qua non para evitar toda fossilização de seu discurso e para assegurar uma reinvenção constante da verdade freudiana. A formação e a nominação dos analistas permanece responsabilidade de cada uma das associações de Convergência. Nosso movimento favorecerá o tratamento deste paradoxo. Não tratá-lo, e não assumir o trabalho das diferenças, encaminharia nosso movimento à entropia e à redundância. A Convergência sancionará em ato o princípio de uma pluralidade de enlaces heterogêneos entre as associações e os analistas participantes. ***
|
|||||||
Intersecção Psicanalítica do Brasil |
||||||||