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A clínica Lacaniana

 

* informações gerais * inscrições * demonstrativos das mesas de trabalho


A Clínica Lacaniana foi o tema escolhido para o Simpósio de IPB, em 2009, e ao nos questionarmos sobre este tema que nos é bastante instigante, primeiramente pensamos como Lacan iniciou sua clínica. Sua prática, no início, deu-se  fazendo uma reconceitualização da posição do analista, principalmente no que se refere aos papéis que o analista não deve assumir, isto é, aos papéis do outro imaginário, do Outro como juiz onisciente, atrelados nas abordagens da "psicologia do ego". Lacan enfatizou que o analista deve se colocar na posição de objeto "a", posição essa que é enigmática, servindo de objeto na fantasia do sujeito, com o intuito de motivar uma reconfiguração da sua fantasia. Isso o requer em uma nova postura em relação a seu gozo. Porém, para que essa reconfiguração aconteça, Lacan introduziu o tempo lógico, ou seja, o tempo variável da sessão.

Além disso, falar em Clínica Lacaniana também nos  remete ao percurso que Jacques Lacan fez em sua construção teórica. Esse percurso foi marcado por momentos bem diferentes na forma de abordar os fenômenos clínicos, de dirigir o tratamento e de formalizá-lo. Nos anos 50, até o seminário da Ética, Lacan fez um retorno  aos textos de Freud; nesse período, sua clínica foi a da dialética do sujeito com o Outro, sendo estruturalista e tomando por base a cadeia do significante (S₁ - S₂).  Essa perspectiva era regida pelo simbólico, cabendo ao analista interpretar as formações do inconsciente, situando o sujeito em seu desejo. Nesse momento, a clínica  Lacaniana era uma clínica do sentido, direcionando o sujeito para o enigma do seu desejo, estruturado a partir do desejo do Outro. O sintoma, na sua vertente neurótica, era concebido como uma mensagem a ser decifrada.

Nos anos 70, Lacan foi além de Freud,  além do sentido da decifração, colocando em perspectiva o não sentido. Tratou-se do Lacan pós-edípico, substituindo a cadeia significante pelo  nó borromeano,  privilegiando a experiência do real. As estruturas clínicas passaram a resultar não apenas da estruturação dos sintomas em função do desejo do Outro, mas fundamentalmente dos modos de amarração dos registros simbólico, imaginário e real, consistindo o sintoma uma forma de gozo. Nesse segundo momento da clínica lacaniana, não há uma verdade sobre o dito do paciente, nem existe uma interpretação consistente, enquanto que, no primeiro momento, o analista estava ali para dizer uma verdade sobre o dito do analisando.

Foi levando em consideração esses diferentes momentos de Lacan em sua prática,  que, no mês de junho – mês bastante  singular para o povo de São Luis, no qual os  moradores comemoram  o São João, percorrendo cada qual seus significantes rumo ao próprio gozo, ao som de pandeiros,  pandeirões, matracas, orquestras, zabumbas e costas das mãos, num ambiente cheio de sentido  para os ludovicenses, que resolvemos discutir a Clínica Lacaniana.

LEVAREMOS EM QUESTÃO OS SEGUINTES SUBTEMAS:

1) A criança na clínica psicanalítica: seus impasses;

2) Os destinos de uma análise;

3) Transferência, pulsão e repetição na direção da cura;

5) O Tempo lógico.

 

 

 

Intersecção Psicanalítica do Brasil
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