O que gostaria de trazer à discussão hoje é um fragmento de um caso clínico relacionado com os sintomas anoréxicos, entrecruzado com o que Jacques Lacan nos fala em seus seminários sobre a queda do objeto a.
“Pedaço” do caso (de uma jovem a quem chamarei) Françoise, nome escolhido para homenagear colegas franceses. Seguirei com reflexões associadas à psicanálise. A amplitude e complexidade deste tema ainda não permitem conclusões.
Françoise chegou ao meu consultório com diagnóstico médico de anorexia nervosa; na primeira sessão relatou: “eu não como faz meses e, quando como, vomito ou defeco”.
Essa afirmação me sugeriu um achatamento do discurso, uma gelificação. Sua frase denotava algo estranho, contraditório. Segundo Lacan, o estranho está bem no centro do Toro. Não comia faz meses e quando comia vomitava?
Lembrei-me que ao analista cabe escutar e pontuar quando necessário. Numa perspectiva lacaniana, o sujeito se constitui a partir do Outro. E , que o corpo é constituído por partes, pedaços.
1-Psicanalista membro de Intersecção Psicanalítica do Brasil (IPB) e de Instituição Psicanalítica Internacional (IPSI)
E-mail : rachelrangel@gmail.com
|