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Bocas Ocas.


 RACHEL RANGEL BASTOS¹

                                                           

 

Lacan explicitando e desenvolvendo o pensamento de Freud, o utiliza para estabelecer a correlação entre o ego corporal e o sujeito do desejo que vai se constituindo e apresentando-se nas diversas partes do corpo por ele denominadas objetos aa boca, as fezes evacuadas do corpo, o olho e a voz”. (Dulce Campos).

        O que gostaria de trazer à discussão hoje é um fragmento de um caso clínico relacionado com os sintomas anoréxicos, entrecruzado com o que Jacques Lacan nos fala em seus seminários sobre a queda do objeto a.

         “Pedaço” do caso (de uma jovem a quem chamarei) Françoise, nome escolhido para homenagear colegas franceses. Seguirei com reflexões associadas à psicanálise. A amplitude e complexidade deste tema  ainda não  permitem conclusões.

        Françoise chegou ao meu consultório com diagnóstico médico de anorexia nervosa; na primeira sessão relatou: “eu não como faz meses e, quando como, vomito ou defeco”.

        Essa afirmação me sugeriu um achatamento do discurso, uma gelificação. Sua frase denotava algo estranho, contraditório. Segundo Lacan, o estranho está bem no centro do Toro. Não comia faz meses e quando comia vomitava? 

        Lembrei-me que ao analista cabe escutar e pontuar quando necessário. Numa perspectiva lacaniana, o sujeito se constitui a partir do Outro. E , que o corpo é constituído por partes, pedaços.

 

 

 1-Psicanalista membro de Intersecção Psicanalítica do Brasil (IPB) e de Instituição Psicanalítica Internacional (IPSI)

E-mail : rachelrangel@gmail.com

 

 

 

Intersecção Psicanalítica do Brasil
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