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Epílogo pré-visto: outra visão do olhar.

 


 RACHEL RANGEL BASTOS¹

                                                           

 

 

 

“Tudo é um epílogo previsto desde que a gente nasce”.   Anjo de Ébano

      Pseudonimizei um analisante por Anjo de Ébano. Adianto o fato, do título deste trabalho ter advindo da junção de palavras por ele ditas, ou melhor, pré-ditas. Estava ali um enunciado sobre o olhar. O olhar como objeto a, o pré-visto.

      A saliência do prefixo (pré) incide na necessidade em destacar a anterioridade. Anterioridade produtora de castração. O Outro barrando/interditando o sujeito, provocando assim o caráter constitutivo, capaz de sustentar o gozo.

      Da fala do analisante, emergiu um sujeito desejante. Por ele fora pronunciado:

 

“Aqui na analise é preciso ter outro olhar. Ou melhor, é preciso ter outra visão do olhar! Na analise podemos, vendo a parede, olhar o que está dentro de nós. O mais estranho é não poder ver o seu olhar! O olhar do Outro”. (o grifo é nosso).

      Continuou:

 

“São as faltas. As faltas que nos faz ver nossos desejos. Nossas tristezas e nossas angústias. Faltas que aparecem sem aviso prévio”.  

      Por antecipação questionei a mim mesma: é possível praticar um diagnóstico precoce dos transtornos psíquicos?

      Inspirada no fragmento clínico ali presentificado, senti-me instigada em realizar um registro escrito.

     Proponho então discutir as possibilidades em localizar sinais de transtornos, sem a preocupação em estabelecer diagnósticos, cujos sinais podem aparecer como catalisadores capazes de fazer identificar diferenças significantes na constituição do sujeito. Para tal, convoco pressupostos de Jacques Lacan, quando em seus escritos e seminários nos orienta refletir a noção de objeto a, intentando abordar algo que remete à falta. É nessa falta que se verifica a queda do que ele, de modo sábio, aponta como sendo o olhar um representante desse objeto. Objeto que faz semblante do desejo e, portanto fala de sujeito desejante.

      A construção deste texto elege um fragmento clínico que se presta à explicitação da constituição do sujeito numa perspectiva psicanalítica, onde o objeto de queda (objeto a) pode sinalizar distúrbios psíquicos aparentes em bebês e crianças nas mais tenras fases das suas vidas. Fazendo-se emergir em formato fantasmático até os últimos dias de suas vidas. Presentifica-se uma lógica atemporal, complexa e, por conseguinte.

 

1-Psicanalista membro de Intersecção Psicanalítica do Brasil (IPB) e de Instituição Psicanalítica Internacional (IPSI)

E-mail : rachelrangel@gmail.com

 

 

 

Intersecção Psicanalítica do Brasil
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